por Melva Blanchard

Eu estou procurando emprego. Acabei de receber meu Green Card (documento Americano que me permite morar e trabalhar nos Estados Unidos) e agora sou capaz de começar algo novo, um trabalho formal com o qual me comprometo, acordar cedo e vestir uma blusa e meus saltos não tão altos. Esta é uma temporada animadora que traz muita esperança e me faz sentir energizada com a possibilidade de participar de algo que me fará crescer.

Eu me casei em 20XX e estou em uma ótima fase curtindo muito a vida de casada. Gostaria de poder mudar um pouco o assunto e elogiar meu marido, mas desta vez vou me concentrar no assunto. Sendo ele americano e eu brasileira, decidimos por conveniência e praticidade morar nos EUA, o que me traz aqui hoje. A transição tem sido boa, com altos e baixos, como em qualquer transição, mas o que quero enfatizar é que mudar para um novo local tendo um visto que não permita trabalho ou estudo pode proporcionar muito tempo livre. Tempo livre que pode ser gasto com sabedoria … ou não.

Não gosto muito de tecnologia, mas posso dizer que estava usando meu telefone mais do que queria. Ficou claro para mim quando, um dia, eu estava sentada no meu apartamento, verificando as mídias sociais e outros sites, quando percebi que era quase hora do almoço e eu ainda estava de pijama! Como isso é possível?

Eu percebi que estava tentando juntar dois mundos. Morando nos EUA e me mantendo atualizada sobre o que estava acontecendo no Brasil – amigos, família, economia, política. Eu queria ter certeza de que não estava perdendo nada disso. Eu estava ‘fazendo meu trabalho’ me informando de tudo que acontecia, desde a amiga que estava gostando de seu novo lazer até o fato do presidente que estava sendo impugnado. Percebi que estava me enganando, tentando me fazer acreditar que era uma coisa boa, quando era tão óbvio que eu estava sendo uma terrível administradora do tempo que Deus me deu!

Eu estava checando as mídias sociais não para o meu crescimento, mas para o meu prazer – ou mais precisamente, pelo meu ‘descontentamento’. Essas coisas estavam apenas consumindo meu tempo e me fazendo sentir ansiosa e preocupada. Me fazendo temer o amanhã em vez de confiar em Deus. Fazendo-me diminuir quem eu era enquanto verificava belas fotos na internet. Me fazendo sentir que não estava me divertindo muito. Eu estava me diminuindo ao invés de crescer! Só porque ninguém estava olhando para mim. Ninguém estava verificando como eu estava gastando cada minuto do meu tempo.

Quando se trata de mídia social, a maioria de nós está muito consciente dos riscos e dos efeitos negativos que ela pode trazer, embora nunca pensemos que estamos incluídos nisso. Sabemos que uma boa porcentagem daqueles que são viciados ou apenas passam muito tempo lá (em outras palavras, um pouco viciados) sofre de algum tipo de ansiedade ou tristeza, mas estamos sempre nos dizendo que não é o nosso caso. O que realmente estou dizendo é que é melhor para nós, em vez de nos separar da maioria e nos vermos protegidos desses efeitos, entender que somos como todos. Também podemos desenvolver pensamentos ansiosos apenas por causa de algumas fotos ou podemos perder tempo lendo postagens sem fim. Porque nesse sentido, somos como todo mundo.

Então eu decidi morar em uma cidade; a cidade onde eu poderia ser encontrada, onde eu poderia fazer coisas reais e conhecer as pessoas pessoalmente. Decidi dedicar meu tempo a construir uma comunidade neste lugar, a investir em vidas próximas a mim e assistir ao pôr do sol em tempo real. Aprendi que se você tenta viver em mais de um lugar, sejam elas cidades reais, sejam futuras ou passadas, você definitivamente está perdendo o que está acontecendo ao seu redor e eu não acredito que foi o que Jesus fez quando ele estava aqui. Ele estava totalmente presente onde quer que estivesse e uma vez que deixasse um lugar, focaria naqueles que o cercavam. Eles tiveram toda a atenção dele. Que linda maneira de viver!

Eu tenho certeza que podemos tirar o máximo proveito do momento presente, onde estamos, com o tempo que temos, com as pessoas com quem interagimos. Mesmo vivendo a “transição”, sentindo que ainda estamos nos adaptando, sabendo que esse processo pode levar muito tempo. Ainda podemos fazer algo hoje, preenchendo as lacunas, vivendo abundantemente.