por Lacy Finn Borgo

Havia oito de nós no porão da igreja, reunidos semanalmente para orar. Oito de nós com etiquetas; filha, engenheiro, mãe, esposa, advogado, professor, pastor, irmã, amigo, escritor e padeiro. Embora eu evite pensar que esses rótulos nos definem – porque não o fazem – eles ajudam a definir nossa esfera de influência, mas descrevem onde levamos nosso corpo, de fato onde levamos nossa vida de oração.

Se a oração é como Dallas Willard diz, “uma conversa contínua com Deus sobre o que estamos fazendo juntos”, as mulheres estão “fazendo” e as mulheres estão tendo “conversas”. No porão, esses cristãos comuns estavam conversando com Deus sobre relacionamentos, sobre justiça e paz, sobre reconciliação, sobre paternidade, sobre o físico, sobre palavras, sobre a vida. Eles seguiram fielmente os passos das mulheres diante deles. Miriam (Êxodo 15), que trouxe sua conversa com Deus para sua liberdade da escravidão, Débora (Juízes 5), que trouxe sua conversa com Deus para o campo de batalha, Ana (1 Samuel 1), que trouxe sua conversa com Deus para sua amargura e Maria (Lucas 1), que trouxe sua conversa com Deus sobre o que acontecia em seu ventre. A integração de vários aspectos de nossas vidas é nossa força e nosso calcanhar de Aquiles.

É a nossa força, onde quer que estejamos e o que quer que estejamos fazendo, nós vivemos nosso relacionamento conversando com Deus. Esse tem sido o padrão desde a história inicial do cristianismo. Os pais do passado seguiram para o deserto e deixaram suas comunidades para encontrar a solidão e enriquecer sua vida conversando com Deus; várias das primeiras mães do passado ensinavam para suas comunidades tempo a sós na conversa com Deus. Já foi dito que se você ensina uma mulher a orar, toda a comunidade estará coberta com oração.

Por outro lado, é também o nosso calcanhar de Aquiles; muitas vezes esquecemos que, enquanto somos membros de uma comunidade, também somos indivíduos. Indivíduos amados singularmente por Deus. Quando esquecemos disso, pode parecer como cuidar dos outros sem cuidar de nós mesmas. Não se engane, há uma diferença entre egocentrismo e autocuidado. O primeiro nunca resulta no posterior. O cuidado de si é o começo do mandamento de Jesus de amar os outros como a nós mesmos (Mateus 22:39). Foi o convite que Jesus fez para Marta (Lucas 10:41). Talvez tenha sido até o convite oferecido à mulher apanhada em adultério (João 8: 1-11). Jesus sabia que poderíamos nos esgotar e sentir drenados quando todas as nossas energias estivessem focadas nos outros. Em nossa vida de oração, nosso calcanhar de Aquiles pode assumir a forma de conversas unilaterais com Deus, negligenciando o aspecto de escuta da conversa. Os fardos que carregamos daqueles dentro de nossa esfera de influência, com o tempo, nos esmagarão se não separarmos um tempo de solitude, apenas ouvindo, não fazendo nada, apenas estando com Deus.

Viver em oração parece aprofundar as conversas com Deus, não apenas sobre o que estamos fazendo, mas também sobre quem somos e quem estamos nos tornando. Talvez você esteja se desequilibrando, precisando de autocuidado e de um tempo restaurador com o Amante de sua alma. Tente uma das seguintes sugestões:

  • Separe 15 a 20 minutos por dia para ficar em silêncio com Jesus. Pode ser no início da manhã, antes de sua família acordar ou no final da noite, quando eles forem dormir. Encontre um espaço tranquilo e sozinho para estar com Jesus. Traga sua atenção para Jesus para esse momento. Veja ele, olhando para você e sorrindo. Quando preocupações ou angústias vierem à mente, coloque-as gentilmente nas mãos Dele, sem falar nada.
  • Ore o evangelho de Lucas usando sua imaginação. Em outras palavras, coloque sua imaginação a serviço das Escrituras. Construa sua ideia através do livro de Lucas, história por história. Antes de começar uma leitura, convide o Espírito a falar especificamente com sua alma. Leia o texto selecionado uma vez – obtenha uma visão geral e imagine-se nessa história. Leia o texto selecionado uma segunda vez – note quaisquer sentimentos ou impressões fortes que tiver. Comece uma conversa (falando e ouvindo) com Jesus sobre esses sentimentos e impressões.
  • O que você gostava de fazer quando era pequena? Andar de bicicleta? Pular? Rir? Brincar na sujeira? Jogar freesbe (espécie de disco voador)? Faça de novo mas desta vez convide Jesus para a sua diversão. Observe que Jesus está com você, desfrutando do espaço, compartilhando sua luz e seu amor.

Lacy Borgo é uma autora com livros publicados, diretora espiritual e membro do Instituto Renovare USA.